19.6.06
Moldura Humana
A foto, de Pedro Ferrari – Lusa, ilustra a notícia que leva por título “Avó e pai de Vanessa condenados a 18 e 14 anos e nove meses de prisão”. Para legenda, os editores do jornal escolheram a seguinte frase: “Afluência – Mais uma vez os moradores estiveram em peso na sala de audiências do Tribunal de S. João Novo para assistir à condenação dos seus antigos vizinhos”.
Do lado esquerdo da mulher com o casaco-bandeira (ainda na perspectiva do leitor) está uma mulher gorda, a quem uma blusa de alças com riscas horizontais faz ainda mais gorda. Também tem a boca aberta mas num jeito de falta de ar, olhos cravados na lente do fotógrafo. Do outro lado da mulher-bandeira está uma mulher mais nova com uma camisola igualmente às riscas a deixar surgir a barriga, logo acima dos jeans. Tem a cabeça de lado, a boca aberta, deixando ver a fileira dos dentes de baixo. Os olhos estão fechados e o braço direito ligeiramente erguido acima da cabeça, de modos que parece dançar. A fechar o friso principal da indignação, outra mulher larga, com uma blusa preta de manga curta e um fio dourado com duas medalhas a pular, imóveis, sobre o peito XXXL. Também tem a boca escancarada, num esforço que lhe enruga a testa, mas os olhos estão cravados na mulher-bandeira, como quem grita ao desafio.
Em segundo plano há outras pessoas, homens e mulheres. Um aponta, outro sorri, aquela faz uma careta misteriosa, mais sorrisos, lá no fundo. Espectadores, participantes numa novela da vida real, “moradores em peso” para assistir e comentar. Acredito que alguns, de forma genuína, queiram demonstrar público repúdio pela morte da criança. Estou convencido que outros teriam optado pela final do “Dança Comigo”, no Campo Pequeno, se pudessem escolher.
18.6.06
Vai desejar factura?
17.6.06
16.6.06
A Tempestade
No intervalo da chuva de golos argentinos (3 a 0), saímos para as compras de fim-de-semana. Assim que nos encontramos na estrada, somos apanhados por uma forte "tromba d'água" (bela expressão!), que inunda tudo. Os relâmpagos e os trovões rebentam logo por cima de nós ("Ai, Santa Bárbara!"). Alguns carros encostam à berma, com os piscas ligados. "Quem anda à chuva, molha-se". Mas nós avançamos, cautelosamente. Só queremos chegar ao Centro Comercial mais próximo, visto, com surpresa nossa, como um porto de abrigo. Conseguimos. Mas nem chegamos a entrar, porque está toda a gente a sair: os canos deram de si e há água por todo o lado. No átrio, dentro das lojas do primeiro piso, no Continente fechado. Voltamos, portanto, para trás, notando, com alívio, que entretanto a chuva acalmou. Sim, "depois da tempestade, a bonança", que permite a redacção deste post. Mas eis, também, como as forças da natureza nos dão, de quando em quando, lições de humildade. Seremos capazes de as aprender? Falando de forças da natureza: os servo-montenegrinos sentiram-nas bem fundo na carne. Resultado final - Argentina: 6 / Sérvia-Montenegro: 0. Pois, "quem semeia ventos, colhe tempestades!". Fotografia Ligeiramente Desfocada Na Terra Do Nunca
15.6.06
O Abismo

Bolas de Granizo
Os céus castigaram as uvas no Alto Douro. Dois portugueses carregaram um buda de 95 quilos até à Alemanha, para a festa do futebol. Os trabalhadores da Opel gostavam de jogar até à final. Sócrates, em Bruxelas, diz que só fala da Europa. Golo?
O Intervalo

- Fala Charitos.
O Corpo de Deus passa-me ao lado mas sempre é um feriado. Resolvo fazer vista grossa a uma papelada à espera de ordem e outros afazeres e aproveito a folga. Depois do almoço, M. sai para cumprir compromissos familiares e eu estico-me no sofá, com um livro novo. Os cadáveres sucedem-se, num mapa que o inspector Kostas Charitos acabará por decifrar nas últimas páginas, que devorei há pouco. A capa portuguesa é fraquinha mas o recheio deste primeiro romance de Petros Markaris é um divertimento muito recomendável.14.6.06
(Ainda) O Presidente & Os Símbolos
Uma pergunta, a propósito da irritação do amigo PB (e da nossa) com os políticos. Será que "o menino da G3", um cravo abstencionista, é que estará certo, no seu alheamento? Não creio que seja esse o caminho mas também não me parece que um voto, de quatro em quatro anos, seja suficiente como acção. (À atenção do SIS e quejandos: não, ainda não estou a pensar na via das armas...)"Entre os homenageados pela Presidência da República, na cerimónia de ontem em Serralves, estava Diogo Bandeira Freire: o menino que, em 1974, aparece a meter um cravo numa G3. Uma imagem da Revolução de Abril que perdura na memória de muitos. O menino, ícone de Abril, emigrou há 18 anos para Inglaterra, onde agora é director financeiro numa empresa de distribuição. E, para espanto de muita gente, pertence ao partido dos abstencionistas: tem 35 anos e nunca votou, nem em Portugal, nem nas municipais em Inglaterra. Dos políticos portugueses, Diogo Bandeira Freire, que promete repensar a sua atitude nos actos eleitorais, apenas destaca um, precisamente o que o convidou a participar pela primeira vez no Dia de Portugal."
Manhã Submersa 3

Depois de tanto calor, os dias começaram a ficar mais frescos, cinzentos. Tudo culminou de madrugada: trovões, relâmpagos, fortes cargas de água. A C. acordou, ficou assustada. De manhã, diz-me que não se lembra de coisa assim nos últimos anos. Eu digo-lhe que exagera, que tem fraca memória. Os planos de fim-de-semana parecem ir por água abaixo, o que é pena. Vamos esperar por melhorias... Mas eu que gosto tanto das chuvas de Verão!
Manhã Submersa 2

Aula de Literatura Portuguesa, ontem à tarde. Visionamento do filme, Manhã Submersa (1980), de Lauro António, a partir do romance homónimo de Vergílio Ferreira. Como já acontecera em outra ocasiões, os rapazes e as raparigas dividem-se completamente na sala: elas para a esquerda, eles para a direita. O que diria o narrador, o António Santos Lopes, o Borralho, disto? O filme sublinha, de forma clara, a ideia da repressão da sexualidade dos jovens seminaristas. E, como seria de esperar, os jovens alunos de hoje, mesmo não (tão?) reprimidos, são muitíssimo sensíveis a este ponto do filme (também do romance, mas as imagens são, claro, mais imediatas que as palavras...). Cenas mais apreciadas? Três: pela sua dimensão dramática, a elipse final, da auto-mutilação do protagonista; e duas cenas de natureza sexual: o Dr. Alberto com Carolina, a criada, vistos de relance, pela porta entreaberta; e a cena entre a mesma Carolina e António, na cozinha, quando o rapaz espreita os seios da jovem mulher enquanto come a sopa. É então que ela pergunta, em jeito de troça "- Já te apetecia, não?". Sim, foi a frase mais repetida, por entre risos e gargalhadas, no átrio da escola, logo após a aula. Por eles e por elas. Nisto não houve separações, nem divisões para a esquerda e para a direita. Estavam todos misturados... E, pelos vistos, alguma coisa decoraram do romance...
Manhã Submersa 1

Literatura Portuguesa. Ficção contemporânea: Manhã Submersa, de Vergílio Ferreira (1955). Uma história de aprendizagem, narrada na perspectiva de um rapaz de 12 / 13 anos, o António Santos Lopes, o Borralho (uma espécie de projecção das vivências do próprio Vergílio Ferreira). O romance denuncia, a partir de uma experiência de Seminário, a contradição entre os valores e as práticas religiosas e clericais na província, atrasada e conservadora, dos anos 30 / 40 portugueses (quando o elogio abstracto do amor cristão se manifesta na prática quotidiana como violência concreta sobre os seminaristas). Há ainda a denúncia da opressão que uma instituição rígida, com as suas regras e hierarquias, exerce sobre o indivíduo, especialmente fragilizado porque criança ou adolescente. Pode ler-se, aqui, claro, uma denúncia política mais vasta, do Estado Novo salazarista, de que o Seminário é a maqueta ou o microcosmos. Mas o romance mostra também como a liberdade e a libertação são possíveis, ainda que com custos elevados (o sacrifício da auto-mutilação final do protagonista). Aliás, a existência do romance é a melhor prova de sobrevivência que se pode apresentar: ele foi escrito por alguém (António / Vergílio Ferreira) que sobreviveu para contar a história. Um romance excepcional, do melhor que o autor escreveu (portanto, do melhor que a literatura portuguesa pode apresentar). Pelo que este post é um convite à leitura. A história (não o romance...) começa assim: "Tomei o comboio na estação de Castanheira..." Dispostos para a viagem?
12.6.06
Liberdade de expressão (imagem)

Liberdade de expressão (palavras)

11.6.06
Limões & Laranjas Mecânicas

Enorme jogo de Robben, a pintar o verde da tela com o golo da vitória, corridas e lances de um egoísmo genial: "permanentemente ligado à corrente do jogo!", segundo José Marinho. Penso, aliás, que as duas figuras do desafio foram mesmo o avançado holandês e o locutor português. Exemplos? "Cocu é uma espécie de governanta do meio-campo da Holanda." Ou: "Esta defesa era uma espécie de betão armado. Mas falta-lhe agora o melhor cimento, que era Bilic." De Zigic, jovem e poderoso ponta-de-lança, disse que era "aquela masmorra que a Sérvia tem no ataque." De tal maneira que Toni, o treinador-comentador da ocasião, deixou escapar: "As metáforas estão a entrar por aqui..." Ainda bem. Antes metáforas que tácticas do losango ou do triângulo invertido! O futebol, se bem falado, é muito mais divertido...
Auto-retrato (Fragmento de Autor Desconhecido)

As Casas & os Escritores (retorno)
A Feira do Livro termina hoje? Este ano, só fui uma vez. É um sinal da crise. Houve também muito trabalho pelo meio, & outros impedimentos. Mas gostaria de dizer que gosto da Feira ao ar livre, ali, na encosta escorregadia do Parque. À chuva (às vezes) e ao sol (quase sempre). Gosto daquelas barracas coloridas, rústicas, com qualquer coisa de inacabado, uma espécie de habitações provisórias dos editores que são, por algumas semanas, as casas dos escritores. E eu penso que devemos preservar as casas dos escritores. Visitá-las, dar-lhes vida, torná-las quentes e verdadeiras (mesmo que sejam barracas de feira...): não Casas-Museu, no sentido mortal do termo. Por isso quero, um dia destes, visitar e conhecer a casa de Camilo em Ceide, a casa de Eça em Tormes. Embora todos saibamos que a única casa verdadeira dos ecritores é a língua, a casa do ser. O que significa isto? Significa que todos os grandes escritores são, realmente, homens e mulheres sem casa, "sem abrigo". Porque a língua, ao mesmo tempo que se deixa apropriar, ou habitar, pelo escritor e pelo poeta, escapa-lhe por entre os dedos. É isso que leva, de resto, à escrita, à continuação da escrita - a perpétua perseguição da palavra e do sentido que sempre escapa. Por consequência, até o escritor que se refugia para escrever no seu quarto é um homeless, alguém que está irrevogavelmente na rua, à mercê da violência dos elementos. À chuva (quase sempre) e ao sol (às vezes). Porque escreve. Porque a língua é a morada esventrada do ser. Aí onde se ouve e sente o vento a passar, por entre as frinchas do corpo e as estrias do espírito.
10.6.06
Estatuto

9.6.06
Frente a Frente? Diálogo de Surdos?

Maria de Lurdes Rodrigues: nota 8. Porque, apesar da insistência na ideia de que é preciso distinguir os professores excelentes ou muito bons dos somente regulares, não consegue mostrar como é que isso se faz objectivamente (em relação com os níveis de sucesso dos alunos? com as taxas de abandono? com a avaliação dos pais?...). Porque também não é capaz de mostrar objectivamente como é que a sua proposta de estatuto vai melhorar o que quer que seja nas escolas (pelo contrário, previsivelmente, vai abrir autênticas guerras civis; vai colocar, por exemplo, professores mais velhos contra professores mais jovens...). Porque não diz que este estatuto tem o objectivo inconfessável de impedir a progressão do maior número de professores ao topo da carreira e poupar a maior quantidade possível de dinheiro (objectivo legítimo, sem dúvida, mas que terá custos ao nível da motivação e do desejo de progressão profissional dos professores... quando estes se derem conta de que os lugares para professor titular estão já todos ocupados nos próximos 10, 12, 15 anos... Pode haver qualidade de ensino com professores desmotivados e "congelados" permanentemente?)... Porque... Porque... Mas a presença televisiva foi politicamente correcta: supostamente aberta à negociação; correpondendo aos projectos e ideias dos professores de Matemática, etc. Tudo muito longe das declarações sobre o mau profissionalismo dos professores, ouvidas e noticiadas nos últimos dias. Os gestores de imagem fizeram o seu trabalho.
Paulo Sucena: nota 7. Falhou no discurso e na presença televisiva. Parece mal preparado (talvez não esteja; mas, então, por que motivo precisa de deitar um olhar meio disfarçado aos papéis?). Parece acomodado no seu papel institucional de representar o maior sindicato de professores deste país (mesmo depois de uma eleição, bem recente, por margem mínima, sinal de grande insatisfação da parte de muitos professores sindicalizados). Parece esgotado na capacidade, urgente, de organizar a classe, de forma criativa, no sentido de esta recuperar confiança e ser capaz de responder firmemente às provocações (inexistentes no debate desta noite, mas factuais, sistemáticas e propositadas ao longo do último ano) da ministra e da sua equipa. Depois de tantos anos à frente das lutas dos professores pela dignificação da profissão docente, talvez seja altura de compreender que essas lutas precisam de novos rostos e de ideias mais firmes e claras.
João Adelino Faria: nota 14. Porque mostrou estar informado e conseguiu acompanhar, pontuando-o, o desenrolar da conversa. No entanto, manifestou, por vezes, uma tendência algo perturbadora para interromper o dirigente sindical, facto sem a mesma correspondência em relação à ministra, cujo discurso praticamente não foi interrompido. Mas foi, claramente, o melhor dos três. O que, valha a verdade, não pode deixar de constituir um sintoma preocupante dos muitos problemas do sistema educativo português.
O Presidente & Os Símbolos
Boletim Clínico da Selecção (Familiar)

C., a guarda-redes, está à beira da exaustão, com ataques de ansiedade à mistura. O mais velho, defesa central, desatina e chora por todos os motivos e mais algum (escola, compras, arrumação do quarto, irmão, etc.). O mais novo, extremo-esquerdo, cheio de febre, está a meio de uma traiçoeira investida de bexigas doidas. Quanto a mim, o número 10, o homem do último passe, arrasto-me no campo à espera do apito final, incapaz de marcar o decisivo golo de ouro.
8.6.06
Fernando Variações & António Pessoa

The Power of Love 2

7.6.06
The Power of Love

Tiro pela culatra

Um tiro pela culatra é uma das situações mais horripilantes que podem acontecer. O sr. André Franquin (Grande mestre da Banda desenhada europeia, Gaston, Modeste e Pompon, Spirou, Fantásio etc etc etc) desenhou uma colecção que se chamavam IDEIAS NEGRAS (tenho 2 ou 3 albuns) com ideias completamente NEGRAS. Tem algumas situações HILARIANTES com caçadores em que lhes saiem invariavelmente o tiro pela culatra ... hihihihiiihihhihihiiii ... mas tem outras ... assim que puder digitalizo umas quantas e coloco-as aqui ... entretanto coloco uma para terem uma ideia das IDEIAS NEGRAS de André Franquín.
6.6.06
Cantar & Andar à Mocada

Tranformar Tudo em Pedra
De regresso aos clássicos, voltando um pouco atrás. Paulo Sucena, secretário-geral da Fenprof, no dia 1 do presente mês de Junho: "Os professores e educadores estão fartos dos descontrolados impulsos persecutórios da ministra da Educação de Portugal e não suportam mais o seu olhar de medusa." Sem Tempo Livre!
A esbracejar para me manter à tona no oceano de testes, trabalhos & processos de avaliação do final de ano lectivo, descubro duas sugestões bem interessantes, na página 10 do último número da revista do INATEL, Tempo Livre, aquilo precisamente que eu não tenho: um livro sobre as gentes e as tradições do Porto e uma notícia sobre o primeiro festival de cinema digital da Europa, a realizar em Lisboa, entre 21 e 25 do presente mês de Junho. Excelentes ideias, não acham? Ah, já me esquecia!, e também uma notícia sobre um prémio de jornalismo a que talvez valha a pena dar atenção... 5.6.06
Brokeback Mountain - Banda Sonora
O tema "The Wings" é fabuloso ... Assim como o tema "De usuahia a la quiaca" dos Diários de Che Guevarra ... Sou fan incondicional do trabalho do Gustavo Santaolalla.
4.6.06
Vocês Viram O Que Eu Vi?
Sempre aos Domingos foi uma excelente ideia de televisão de Maria João Seixas, no Canal 2 da RTP, aqui há uns anos. Uma conversa/entrevista da Maria João com um convidado, por norma, inteligente e bom conversador. E, de seguida, um filme ou um documentário, escolha do entrevistado. Alguém se lembra? Eu lembro-me, por exemplo, da sessão dedicada aos filmes inacabados de Orson Wells ou aquela sobre a perseguição e tentativa de extermínio dos ciganos do leste da Europa pelos nazis. Ou ainda um belíssimo documentário sobre os taxistas de uma cidade sul-americana (qual?): Metal & Melancolia. Vocês viram o que eu vi?

Agora vêem-se outras coisas. Ligam a televisão por volta das 8:45 e apanham o Jornal de Domingo, da SIC, a meio. Alinhamento das notícias: na rubrica (muito boa) "Nós Por Cá...", da Conceição Lino, ficamos a saber que uma mãe de 38 anos, nascida e registada em Portugal com o nome de Nereida, não pôde dar este mesmo nome, por decisão das autoridades competentes, à filha recém-nascida (a quem, notem, foi em alternativa dado o nome de Catarina Alexandra). Entrevista com a avó da bebé: "Nereida é um nome bem português; as nereidas até vêm nos Lusíadas do Camões! Estavam no Tejo!" (na verdade, essas são as Tágides; mas também ninguém se lembrou ainda, creio, de chamar Tágide a uma filha!). Outra notícia: uma "rotunda" em Viseu. Rotunda é maneira de dizer, pois esta está "desenhada" apenas, em esforçado trabalho de calceteiro, na via. E, por isso, não recebe o devido respeito de ninguém (a não ser do senhor vice-presidente da autarquia, entrevistado na reportagem). Eis o que as imagens, entretanto, mostram: os veículos dos descendentes de Viriato a passar, a todo o momento, por cima da supra-dita "rotunda". Em marcha rápida, seguimos para outra matéria: Portugal, é verdade, foi notícia no estrangeiro. Já sabemos o que esperar, o mais certo é não ser coisa boa. Pois foi o caso: mais precisamente, a notícia, no Libération francês, foi sobre os deputados da nação que, depois de uma famosa ponte, agora reincidem, e decidiram desmarcar os trabalhos parlamentares a fim de poderem assistir, daqui a duas semanas, ao importantíssimo Portugal-México do Mundial de futebol na Alemanha. Se calhar, não é má ideia... se calhar, evita-se alguma proposta legislativa mais espúria (o Dia Nacional do Escaravelho da Batata?)... Se os deputados sabem fazer as suas contas, o que dizer dos adoradores de capicuas & outras loisas? Cá vai: a notícia que se seguiu foi sobre a próxima 3ª feira, o dia 6 do mês 6 do ano (dois mil e) 06. E sobre algumas maneiras mais estrambólicas de ler essa conjugação convencional de números formando uma data (no nosso calendário, em mais nenhum outro!). 666. O número da Besta e o fim do mundo, etc. e tal. Vocês viram o que eu vi? Bom, fim do mundo ou não, para mim chegou. Não aguentei nem mais uma gota de tamanha dose de informação & cultura clássica (ah, as Nereidas!...). E, comando na mão, resolvo-me a carregar no botão. Sabem que mais? Não podendo rever o documentário metálico & melancólico dos taxistas sul-americanos, vou reler Camões! Antes as Tágides!...
Autografia

Brokeback Mountain
Não achei nada de especial.
O argumento é razoável mas falta qq coisa no fim do filme.
Jake Gyllenhaal, nota 7
Heath Ledger, nota 6
3.6.06
Outras Casas & Outros Casos

O Peso de Granito do Mundo
2.6.06
Fundo Negro
"Todos calibram, entre si, o brilho do ébano na testa do outro. Não vêem que trazem carimbado no rosto, como uma maldição, o desenho do fruto que lhes deu berço, muitas gerações antes de terem nascido. Ou são pretos cor do açúcar, ou são pretos cor do cacau."
Pedro Rosa Mendes (com ilustrações de Alain Corbel), Lenin Oil, Dom Quixote, 2006
02. Lido
"As novas paisagens de Cannes" - a crónica de João Lopes na 6ª do DN. Entre as Imagens de Teresa Villaverde (Transe), Pedro Costa (Juventude em Marcha) e Alejandro Gonzalez Iñarritu (Babel). Com vontade de ver/aprender.
03. Segredo
Lá para o final da outra semana. Outro bairro. Sabura.
1.6.06
Xanana
Fonte: Público Xanana entre o povo - Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, abraça habitantes de Díli depois de um apelo à polícia, à juventude e às autoridades locais para que colaborem na restauração da ordem. Xanana pediu também o fim das distinções étnicas no país. Foto: António Dasiparu/AP
Polaroid Cool
Segredos Públicos
Quarto Com Vista Para Dentro
Quer dizer, bem sei que somos nós que fazemos as casas onde moramos mas não será possível que elas nos sintonizem os humores?
Lembro-me de, em pequeno, ler livros de astrologia que diziam ser o Caranguejo um tipo caseiro, prezando muito a família e o seu ninho. Olho por cima do ombro e conto as casas por onde passei, desde que abandonei o ninho paterno: vou na sétima. Penso que está na altura de criar algumas raízes e regresso a uns versos de Fernando Guimarães, que anotei num pequeno caderno, há poucos anos.
“As árvores crescem agora mais depressa.
Procuram os seus frutos.”
“As casas percebem
antes de nós
que nos tornamos felizes”




















