o rosto transpira uma luminosidade sonolenta, cansada, mas doce
Como aquelas fotos, esbatidas, que parecem tiradas de um sonho? Sim, mas essas não transmitem calor a esta palma da mão.
digo que me sinto a esgotar-te a alegria dos dias
Espremes o limão, com um pouco de manteiga, sobre as finas tiras de carne, que a falta de apetite vai deixar quase intactas. Comento que é tradicional. Corto uma lasca de peru recheado, numa paródia triste à época festiva.
Com golpes de asa, recordamos as guloseimas da infância. Num frame, vislumbro a promessa da serenidade; noutro, o esboço de uma despedida.
Há, em cada gole, um desejo de viagem mas as mãos, num inquieto repouso, anunciam que a neve encerrou todos os caminhos. Procuras lembrar-te do nome daquele que, se bem me lembro, te fez tombar as pálpebras, de prazer.
Diria assim: uma fina neblina, uma poeira do mar que não vimos juntos, prisioneiros da sombria quadrícula da cidade.
Pode ser o mais aprazível dos encontros ou um doloroso aperto no peito. Algum dia, talvez, o mais perfeito acorde, depois de mil canções trauteadas, ao volante, a caminho.
A tua lista das compras é um poema, como alguém já cantou. Por favor, digite o seu origami, pediria a empregada da caixa, intrigando a fila de idosos vizinhos, de porta-cêntimos em riste.
1 comentário:
Talvez... porque me falte o fôlego?
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