15.11.06

Ariadne

Do rio chegam-me uivos de barcos cegos. Um carro pára, no meio da rua. Dois vultos descarregam caixas e sacos para uma porta. Quanto tempo demora uma mudança? O que é vital mudar de lugar com o corpo? Estou cansado. Volto a escutar Venus in Furs. Abro lentamente uma garrafa e provo um cálice. O que esperar ainda desta noite, escrevo, não propriamente como interrogação mas como desejo. O vinho parece chocolate com amoras... arrefece? Escreves: frio. Respondo: lá fora. Passaremos das metáforas, algum dia? – digito agora, como pura busca de um sentido. Mesmo tacteando pontos cardeais (pequenos arranhões, cicatrizes), não terá sido tudo a metáfora de um labirinto?

2 comentários:

PB disse...

e o concerto ... pelo que li foi excelente ...

j disse...

Foi muito belo, é verdade.