26.5.07
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23.5.07
Fala do autor deste post
Não gosto que as músicas terminem em fade out. Gosto de finais claros, mesmo que fiquem
22.5.07
Robert Duncan, um poema

Entre os meus amigos
Entre os meus amigos o amor é uma grande tristeza.
Tornou-se um fardo diário, um festim,
uma guloseima para loucos, uma fome para o coração.
Visitamo-nos uns aos outros perguntando, dizendo uns aos outros.
Não ardemos intensamente, questionamos o fogo.
Não caímos para a frente com os nossos rostos vivos
e ardentes olhando para dentro do fogo.
Fixamente olhamos para dentro dos nossos próprios rostos.
Tornámo-nos as nossas próprias realidades.
Procuramos esgotar a nossa absoluta incapacidade de amor.
Entre os meus amigos o amor é uma questão dolorosa.
Procuramos entre os rostos que passam
a face da esfinge que apresentará o enigma.
Entre os meus amigos o amor é uma resposta a uma questão
que não chegou a ser colocada.
Por isso coloquemo-la.
Entre os meus amigos o amor é um pagamento.
É uma dívida antiga cujo valor foi gasto de forma idiota.
E continuamos a pedir emprestado uns aos outros.
Entre os meus amigos o amor é um salário
que qualquer um pode receber para ter uma vida honesta.
Robert Duncan (1919-1988).
(versão minha, com colaboração de C. e de C., e dedicada a J. e a PB.; in City Lights Pocket Poets Anthology, ed. Lawrence Ferlinghetti, City Lights Books, San Francisco, 3ª ed., 1997, p. 44).
Jogos de Cama
Elas são muito pálidas. Têm os lábios pintados de vermelho. Vestem roupas um pouco fora de moda. São três e olham na minha direcção. Para além de Jogos de Cama, a montra da loja de atoalhados anuncia também Jogos de Banho e Jogos Turcos. Elas nem pestanejam, sedutoras glaciais da clientela do comércio tradicional.
Semyon Kirsanov, um poema

O novo coração
Ando ocupado!
Ando a construir
um modelo de um coração
inteiramente
novo!
Um coração
para o futuro: com o qual sinta
e ame. Um coração
com o qual compreenda os homens:
E que me diga também quem
devo livremente
cumprimentar com a minha mão -
e a quem
nunca deverei
estendê-la.
Semyon Kirsanov (1906-1972).
(versão minha, revista e corrigida, feita a partir da tradução para o inglês de Anselm Hollo, in City Lights Pocket Poets Anthology, ed. Lawrence Ferlinghetti, City Lights Books, San Francisco, 3ª edição, 1997, p. 81).
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