24.5.07

Sigur Ros : Untitled 1

Para uma amiga, R.

23.5.07

Fala do autor deste post

Não gosto que as músicas terminem em fade out. Gosto de finais claros, mesmo que fiquem em aberto. Aliás, meu anjo, devia ser tudo assim.

Fala do anjo DJ

No lado A, gravei-te alguma pop celestial. No B, o teu destino.

(Numa rua de Lisboa)

Dead Can Dance : The Host Of Seraphim

Lisa Gerrard : Sanvean (I am your shadow)

22.5.07

Robert Duncan, um poema


Entre os meus amigos

Entre os meus amigos o amor é uma grande tristeza.
Tornou-se um fardo diário, um festim,
uma guloseima para loucos, uma fome para o coração.
Visitamo-nos uns aos outros perguntando, dizendo uns aos outros.
Não ardemos intensamente, questionamos o fogo.
Não caímos para a frente com os nossos rostos vivos
e ardentes olhando para dentro do fogo.
Fixamente olhamos para dentro dos nossos próprios rostos.
Tornámo-nos as nossas próprias realidades.
Procuramos esgotar a nossa absoluta incapacidade de amor.

Entre os meus amigos o amor é uma questão dolorosa.
Procuramos entre os rostos que passam
a face da esfinge que apresentará o enigma.
Entre os meus amigos o amor é uma resposta a uma questão
que não chegou a ser colocada.
Por isso coloquemo-la.

Entre os meus amigos o amor é um pagamento.
É uma dívida antiga cujo valor foi gasto de forma idiota.
E continuamos a pedir emprestado uns aos outros.
Entre os meus amigos o amor é um salário
que qualquer um pode receber para ter uma vida honesta.


Robert Duncan (1919-1988).

(versão minha, com colaboração de C. e de C., e dedicada a J. e a PB.; in City Lights Pocket Poets Anthology, ed. Lawrence Ferlinghetti, City Lights Books, San Francisco, 3ª ed., 1997, p. 44).

Laurie Anderson : O Superman

Brian Eno : Engage

Brian Eno : Stop, Watch

Brian Eno & David Byrne : America Is Waiting

Brian Eno & David Byrne : Mea Culpa

Harold Budd & Brian Eno : The Plateaux of Mirror -1980

Jogos de Cama

Elas são muito pálidas. Têm os lábios pintados de vermelho. Vestem roupas um pouco fora de moda. São três e olham na minha direcção. Para além de Jogos de Cama, a montra da loja de atoalhados anuncia também Jogos de Banho e Jogos Turcos. Elas nem pestanejam, sedutoras glaciais da clientela do comércio tradicional.


Prova

Hoje a notícia é ele. E mais 250 mil como ele.

Semyon Kirsanov, um poema


O novo coração


Ando ocupado!
Ando a construir
um modelo de um coração
inteiramente
novo!

Um coração
para o futuro: com o qual sinta
e ame. Um coração
com o qual compreenda os homens:

E que me diga também quem
devo livremente
cumprimentar com a minha mão -

e a quem
nunca deverei
estendê-la.


Semyon Kirsanov (1906-1972).


(versão minha, revista e corrigida, feita a partir da tradução para o inglês de Anselm Hollo, in City Lights Pocket Poets Anthology, ed. Lawrence Ferlinghetti, City Lights Books, San Francisco, 3ª edição, 1997, p. 81).

21.5.07

Terreiro do Passo

(Foto: J)

"Eu passo, recolho da rua minha vida, meu deus
Eu vejo, está ali pra quem quiser ver
Eu creio, eu invento e tento não enlouquecer

Eu vim pra confundir
Pra dividir o seu olhar
Eu vim pra distrair sua atenção

Você só precisa de um momento sem razão
Eu sei que agora está se perguntando
Quem é esse cara
Que pensa que sabe
Que acha que pode adivinhar? (...)"

Márcio Faraco, "Baile de Máscaras", Ciranda, Universal Music Jazz France, 2000
Esta semana, no Santiago Alquimista, em Lisboa

Estreitar margens num abraço

(Ponte das Três Entradas)

Chego-me à ponte, sobre este rio dos afectos. Digo parabéns, uma, duas vezes.


20.5.07

Jogar em Casa (nota final)

As coisas correram como previsto. Goleada de amizade. E sobremesa.

Jogar em Casa

Fiquei muito satisfeito com o facto dos meus dois grandes amigos (muito) benfiquistas terem aceite o desafio, apesar de, por cá, não haver Sport TV. Combinámos: vemos a dinâmica equipa do Sporting na TVI, com o som da rádio a mostrar a evolução de todos os marcadores. Muito bem. Caprichei nos tremoços e nas cervejas (e mais uns mimos) para que ninguém desanime se as coisas correrem como previsto.

Nota – Rapazes, não sei se ainda vou a tempo: se aparecerem com muita parafernália clubística, corto na sobremesa, claro.

Se as árvores falassem

Ficariamos de todas as cores.
(Chuviscando, numa esquina de Lisboa)