Pura utopia.
26.4.07
Liberdade (ou o 26 de Abril contado pelos rapazes)
Pura utopia.
25.4.07
Palavras, imagens e sons de Abril (sempre)
RTP-Memória: José Afonso ao Vivo no Coliseu (22.30).
Ella Fitzgerald : Cherry Red
Date of Birth: 25 April 1917, Newport News, Virginia, USA more
Date of Death: 15 June 1996 Beverly Hills, Los Angeles, California, USA
24.4.07
Girls & boys
Boys & girls
"Ah sim? E porquê?"
Um poema (ao acaso?)
a chocolate, a vinho tinto de Portalegre,
a mar (é sempre a mesma coisa, tem
de aparecer sempre o mar), pensando
bem gosto da tua boca sempre.
Às vezes a tua boca ri e nada sabe,
ri porque prevê a hora certa da minha alegria.
Também eu mergulho no mar, porém
logo secos ficam meus cabelos quando
me lembro que hoje é outra vez dia de S. Nunca."
Helder Moura Pereira, in "Uma Questão Nervosa", A Tua Cara Não Me É Estranha, Assírio e Alvim, 2003
23.4.07
Notas de roda pé ao Dia Mundial que passou
desequilíbrio e sussurros
Os dois polícias surgem na esquina, três quarteirões adiante. Param de conversar e olham na minha direcção. Percebo que os olhos vasculham os sacos. Nem precisam daqueles óculos de visão nocturna, a rua está bem iluminada. Os sacos são transparentes, tenho o talão da compra, não vou em excesso de velocidade e também não atrapalho o trânsito a arrastar os pés, que diabo! Digo boa noite, como faço às vezes. Respondem-me na mesma moeda. A mercearia do Sr. Santos ainda tem luz. Podia levar um queijo e um pão regional. E braços?
Coisas sérias & de folgar
A franja
Cruzo-me com ela no corredor. Jovem, bem disposta, sorridente. Noto-lhe o cabelo diferente (cortou-o) e vou dizer que lhe fica bem mas a frase é, digamos, tesourada pelo detalhe. Ela solta o riso e desfaz o equívoco: “Não, não foi um deslize da cabeleireira!”. E ri-se mais, riso fresco, a franja ligeiramente mais curta sobre o olho esquerdo do que sobre o direito. “Chama-se franja assimétrica. Está na moda!”. E eu rio e digo-lhe que está muito bem. E penso como faz sentido uma franja assim, a rimar com a vida quase sempre assimétrica, desigual, na moda ou fora dela.
Novidades editoriais
22.4.07
O Ciclópico Acto* (uma brevíssima antologia temática da poesia portuguesa contemporânea)

Eu quero foder foder
achadamente
se esta revolução
não me deixa
foder até morrer
é porque
não é revolução
nenhuma
a revolução
não se faz
nas praças
nem nos palácios
(essa é a revolução
dos fariseus)
a revolução
faz-se na casa de banho
da casa
da escola
do trabalho
a relação entre
as pessoas
deve ser uma troca
hoje é uma relação
de poder
(mesmo no foder)
a ceifeira ceifa
contente
ceifa nos tempos livres
(semana de 24 x 7 já!)
a gestora avalia
a empresa
pela casa de banho
e canta
contente
porque há alegria
no trabalho
o choro da bebé
não impede a mãe
de se vir
a galinha brinca
com a raposa
eu tenho o direito
de estar triste
(Adília Lopes / Maria José Fidalgo. 1960-...)
*O amor como foda na poesia portuguesa contemporânea. O Ciclópico Acto é um livro que começou por ser um "poema" de Luiza Neto Jorge para um "livro-objecto de Jorge Martins, Livraria-Galeria 111", publicado em 1972.
O Ciclópico Acto* (uma brevíssima antologia temática da poesia portuguesa contemporânea)

Nós somos mais divinos se fodemos.
Provavelmente mais castos,
mais autênticos.
É pela carne que o amor é verdadeiro
e falso qualquer temor por o fazermos.
Fodo-te e fodes-me.
Uma espécie de música nesta troca
põe-nos a salvo de qualquer liturgia
e beneficia mais a nossa alma.
Não queremos ser salvos.
Apenas respiramos
e sabemos o sal que vem do sexo
e da nossa inocência.
Monto-te e fodo-te. Eis a felicidade -
(Amadeu Baptista. 1953 - ...)




