
14.4.07
Ausência
Ele ia escrever.
13.4.07
6ª, 13
Os jornais mudam, tal como tudo o resto na vida. É normal. O DN voltou a mudar, desta vez sem grande espalhafato. Acertos gráficos, o fim do suplemento diário de economia, uma nova organização das secções. No dia em que chega às bancas, de cara lavada, apresenta como grande novidade uma revistinha de televisão com 100 páginas. Surge na mesma sexta em que desaparece o suplemento 6ª, de que era cliente regular. A 6ª era bem feita, inteligente, abria horizontes, lançava pistas. Bem sei que os assuntos que por ali passavam podem ter (algum) lugar no caderno principal mas não sei se continuarei a comprar, pelo menos com o mesmo gosto, este DN das sextas-feiras.
Actualiz. (23:30): Ainda não vi com atenção o conteúdo - confesso que tinha mesmo comprado por causa da 6ª e só dei pela falta depois - mas parece que a remodelação não foi apenas um arranjo e já há algum espalhafato... Mas desta vez não é marketing. Ou será?
Care For a Drink?
“The rats are running in the subway
the fat cats are choking on the cream
the roaches are creeping in the plumbing
and the dinosaurs are drinking gasoline.” *
JERRY – Oh, yes! I love to post!
TOM – Let’s go to NYC! We could post from there.
JERRY – Yeah! Why not? From the subway!! Hiii!!
ROACH – Não há pachorra.
TOM – What? Who the hell…?!
JERRY – Let it be, Tom… probably’s a freak scubadiver …
TOM – Oh… ok! Where were we?
JERRY – NYC… posting and .. you know.
TOM – Oh, yeah! Sure. Let’s GO!
12.4.07
Post(a) Restante
Excelente correspondência, esta que acaba de me chegar às mãos. O César e a Julieta, que conheci há cerca de um ano, são os criadores do Chuchurumel, com raízes lá para as bandas de Trancoso. O novo disco, o segundo (que estará à venda em Maio), chama-se “Posta Restante” e mostra que o projecto (cruzamento de músicas tradicionais, recolhas e electrónica) vai de vento Realização do videoclip: Tiago Pereira
Música: Coquelhada Marralheira
Tradicional / Freixiosa (Trás-os-Montes)
César Prata: bandolim eléctrico, programações, samples
Julieta Silva: sanfona
Clementina Rosa Afonso: voz
11.4.07
Um Poema*
(com versos de Dante, Machado, Drummond e um cartaz de rua do PSD)
A meio do caminho
da nossa vida fez-se
todo o caminho
a caminhar. E
tinha uma pedra
(era eu, eras tu?)
a meio caminho
de lado nenhum.
*do livro Transportes Púbicos (bláblá...).
História familiar
10.4.07
Leira
António Franco Alexandre
Sobremesa
The Righteous Brothers : U2 : Unchained Melody
Righteous Brothers
from "Unchained Melody: The Righteous Brother's Greatest Hits"
Whoa! My love, my darling,
I hunger for your touch,
Alone. Lonely time.
And time goes by, so slowly,
And time can do so much,
Are you still mine?
I need your love.
I need your love.
God speed your love to me.
Lonely rivers flow to the sea, to the sea,
To the open arms of the sea.
Lonely rivers sigh, wait for me, wait for me,
I'll be coming home, wait for me.
Whoa! My love, my darling,
I hunger, hunger!, for your love,
For love. Lonely time.
And time goes by, so slowly,
And time can do so much,
Are you still mine?
I need your love.
I need your love.
God speed your love to me.
Damas e Valetes
Jogo nocturno: traçar linhas entre gestos suspensos, alguns segredos e um mapa de poros. Sem cartas na manga.
The Departed em cinco segundos
quem fôr muito susceptível também não ...
9.4.07
Um Poema*
Poema ainda inédito
de carroçaria a brilhar sem pós modernos.
Em bom estado
de conservação estilística.
Métrica de tracção
a todas as sílabas
e motor turvo
de muitos cavalos solares.
ABS metafórico acrescido
de sistema de som & sentido
de última geração (dos novos
novíssimos!)
Facilidades de leitura & interpretação.
Trata o próprio
(931630690)
autor.
*do livro Transportes Púbicos (etc.)
8.4.07
Exames Que Pareciam Finais
O professor, conhecido pela sua relativa surdez, perguntou à aluna aplicada:
"Então leia."
O aluno não só conhecia, como tinha decorado o poema. Esse, e muitos outros. De olhos postos no velho professor de literatura, começou a recitar, com expressividade afinada, o poema. Quando terminou, o velho professor de literatura fez nova pergunta:
"Compreendeu o que acabou de dizer?"
"Perfeitamente."
"Então estou satisfeito. Está aprovado, pode sair."
Um Poema*
"Antes
de te sentares
à mesa
lava bem
as tuas mãos."
*do livro Transportes Púbicos (que nunca, nem pensem, escreverei).
Trabalhos de Casa
Ameaça chover. Como ser impermeável à tristeza dos dias? Procuro a minha etiqueta de origem. Evito seguir a roupa para dentro da máquina. Tomo duche e café, um de cada vez. Troco o disco. Tudo irrelevante. Então, por que escrevo aqui, 30% de algodão / 70% de melancolia?
Meta Física (2)
Acordo, outra vez, definitivamente. Rodo as pernas para fora da cama. Ergo-me e espreguiço-me bem, como se esticasse uma fisga ao limite, para me projectar no infinito. Uma dor no ombro esquerdo. Reumático? Bom, o infinito está ao virar da esquina: 3 laranjas e um espremedor.
The Departed (nota 9) : Martin Scorsese ao seu melhor nível
L'amour? C'est une embuscade!
(Carla Bruni, L'amour)
Caro amigo PB,
Louis Armstrong : What a wonderful world
7.4.07
6.4.07
Um Poema*
Este é o primeiro verso do poema.
Este é o segundo: o poema sou eu.
Este é o terceiro: o poema existe.
Este é o meu quarto: tu não existes.
Portanto este é o último verso do poema.
*do livro Transportes Púbicos (que nunca escreverei).
o TAL poema Ilustrado mesmo aqui à porta de casa ...
5.4.07
Três Poemas*
Pisada por toda a gente
a erva daninha nasce
por entre as pedras
da calçada portuguesa.
2. Monanarquia
Vou nu, senhora,
mas de si sei que
jamais serei rei.
3. Custo de Vida
Cara
só a poesia.
*do livro Transportes Púbicos (que nunca escreverei).
"Turquesa", de Zuca Sardan (para J.)
azul durgueza
a lua gorducha
sbedada zezboroa
num minarete da mesguida
de Zanta-Zofia...
o vento azovia
azovia... bzzz...
bzz... noite...
noite desdambul..."
Coração Enjaulado
The Strokes, Heart In A Cage, First Impressions of Earth, 2006
"Well I don't feel better
When I'm fucking around
And I don't write better
When I'm stuck in the ground
So don't teach me a lesson
Cause I've already learned
Yeah the sun will be shining
And my children will burn
Oh my heart beats in its cage
(...)
Now it's three in the morning and you're eating alone
Oh my heart beats in its cage"
O Humor é Uma Arma (de todas as cores)

O Estranho Mundo de Lynch (3)
No regresso da viagem, dei por mim a pensar neste outro império dos sentidos. Uma mulher devorada pela câmara e uma mulher que devora o mundo com as palavras. O Estranho Mundo de Lynch (2)

O Estranho Mundo de Lynch
("Lembras-te do que aconteceu amanhã?")
Deitas a mão à porta e passas o corpo para o outro lado. Esquece o cinema paraíso. Aplaude os coelhos. Afinal, estamos na Páscoa. (Risos). Alice? Não, Laura. Desculpa lá as nódoas negras. Estás magnífica, pareces um anjo, depois do purgatório do plateau. “Toma!”. Doeu-te, este pontapé nos tomates? No passeio das estrelas: um coro de raparigas não é o mesmo que raparigas do coro. “Ela tem um buraco”. Sangue. “Tens que nos contar essas merdas?”.

Está aí alguém? Experimenta afastar a cortina de veludo vermelho. E agora? Ela sobe as escadas e desabafa com o funcionário dos óculos tortos.
("Lembras-te do que aconteceu amanhã?")
“Tens um relógio?”. Abre esta porta. E a outra. E a outra. E a outra. E a próxima. “Sim, ela ainda está aqui.”Acreditas que tens um fantasma nos bastidores da tua pele?
4.4.07
Dois Poemas*
Sorria
está a ler
este poema.
2. Saída de Emergência
Escrever
só em caso
de absoluta
necessidade.
*do livro Transportes Púbicos (que nunca escreverei).
poesia social democrata
"A meio caminho
de lado nenhum".
E, como me acontece sempre que leio grande poesia, não sei se chore se ria.
Coração de Asfalto
As mãos no volante, abrindo caminho. Estabilizo o conta-quilómetros do peito e disparo o pensamento, veloz. Quanto tempo? Vamos! Saímos da cidade quando todos se guerreiam nos semáforos, tentando chegar primeiro ao semáforo seguinte, tentando chegar ao mini-mercado, antes que feche – falta pão, pode ser do bimbo, torra-se, também fica bom. Algumas horas, dizes. Não importa, vamos. As mãos no volante, indo, no largo prazer de atravessar este mar de palha, para sul; de cruzar a serra lusco-fusco, para norte. Esquece a bússola. Vamos, vamos já! Espera, falta-me acabar isto. Trabalho, compreendes? Sim, impaciência. Vamos logo depois? Sim. Três cuecas, uns pares de meias, duas camisolas lavadas. A pasta dos dentes e a escova e o gel do duche. Leva um casaco, pode arrefecer! Saímos quando todos estiverem a regressar? E o gorro! Ah, que prazer! Sim, só mais um pouco. Voa, imaginação. Desejo. Vou já. Repito: já. As mãos adivinhando o mapa, o silêncio e o sorriso. Escolhe: o mar, a montanha, a embriaguez da planície? Por ali. Vamos? Sim. Até já. Vou apanhar-te. Dá-me um toque, que eu desço. Um saco pequeno, roupa para três-quatro dias, vontade para um mês inteiro. As mãos, adiante, abrindo caminho para a velocidade do desejo. Leva aquele CD. No limite, um pouco para além, sim. Escreve, para matar o tempo. Pum! Escreve, ainda. Vou já. Adiante? Sim. O pára-brisas cinemascope. Deixamos os outros para trás, como se deixássemos a nossa própria sombra, estilhaçada num passeio. Pum! À velocidade do desejo, sem limites. As mãos, nuas, tuas. A rir, com a música alta. E os olhos e a boca. A rir, a rir, a rir! Vou, a imaginar isto tudo, com a música alta, as mãos no volante e a tristeza à pendura. Não dizes nada, amargura? E um saco de roupa para três-quatro dias. E o desejo de nunca nunca mais voltar? Procuro a resposta no caminho. Não quero saber, agora, que portagens ficaram por pagar. Sei que foram muitas. As rodas à berma. Adiante, coração de asfalto. Chora, não faz mal. Acelera!
Baú das Músicas 1 : Anos 80 : House Of Love : Christine
LP, O Shine On não está disponível online :-(
"Ganhar o Pão" (uma aposta ganha)
Algumas notas sobre o 2º programa da série “Portugal, Um Retrato Social”, de António Barreto, que passou esta noite na RTP.
3.4.07
Madrigal
Confesso: Julieta é, de entre os nomes de mulher, um dos meus favoritos. Por vezes, assobio baixinho Menina Estás à Janela. Mas isso sou eu, fora de moda, que nem me chamo Romeu. Olha, rimou!
2.4.07
Polpa
Umas vezes, brincalhão. Outras, deprimido. Hoje comprei maçãs de Alcobaça e umas pêras grandes. Doces!! (O corrector ortográfico do Word assinala erro quando exclamo em duplicado. “És muito amargo, estupor! Espécie de fascista…”). Ah, e também laranjas! Aposto que fico com outra fibra.
Lápis Hemostático
Apareceu-me no espelho, esta manhã, quando escovava os dentes e decidia não fazer a barba. Pareceu-me um rosto conhecido. “Deixa de escrever disparates e vê se fazes alguma coisa com a tua vida!”. Anotei o conselho no vapor, bochechei e fiz a barba.
1.4.07
Ainda o Olhar
O jornal Público reproduziu, na edição de ontem, algumas das imagens que fazem a perturbadora exposição “O Olhar dos Cegos”, organizada pelo fotógrafo Georges Pacheco. Os auto-retratos estão no Silo, Espaço Cultural do Norte Shopping, até 22 de Maio (juntamente com a exposição “A Memória das Lágrimas” – um outro projecto de auto-retratos, do mesmo autor).
Numa entrevista a Sérgio B. Gomes, publicada no blog Arte Photographica, Georges Pacheco diz que partiu para o projecto com a seguinte pergunta: “de que forma o olhar dos cegos toca quem vê as imagens?”. Todo o trabalho pode até ser algo polémico mas, talvez por isso, provoca reflexão. A mim, deixa-me a pensar no modo como nos relacionamos com esse sentido vital e ao mesmo tempo tão banalizado.





































